"Todos os devaneios que me vão na cabeça, que me foram da cabeça e que me hão-de vir até à cabeça. Todas as mentiras e verdades que me foram impostas, todas as torturas que eu vi. Todos os momentos; um principio de vida, o meu desnascer."
Quarta-feira, 20 de Junho de 2007
TUDO UMA QUESTÃO DE NOMES
Como sabem, gostaria de ser pai lá para o início de 2008. Já estou a ver  a marca do bicho, é macho, o que ainda não sei é como é que lhe vamos chamar, tem de se ver a tendência depois. Este processo da escolha do nome é um processo bastante lento e doloroso. Aquando da minha sobrinha, cento e vinte e três reuniões depois, não conseguimos decidir. Demorámos tanto tempo a estarmos de acordo (eu e o resto da minha família) que acabou por ser a minha própria sobrinha, aos três anos que escolheu o seu nome, aliás um belo nome (Mariana), como que a justificar a capacidade fantástica, que ela hoje possui para resolver as coisas rápido.
Para evitar que aconteça o mesmo com o meu futuro filho, temos tido enormes discussões lá nas famosas e horripilantes, reuniões familiares. Agora com mais um elemento, já que a minha sobrinha, acha que também já tem voto na matéria. A escolha do nome é um processo muito demorado e bastante complexo, ainda para mais neste país, onde não se pode por nomes tão bonitos como por exemplo Maçã, Banana ou mesmo Tomagoshi.
Para mim qualquer nome serve pois o que vale é o apelido. Quando se faz uma reserva para uma mesa, quando se escreve uma carta, quando se recebe um convite, o apelido vai à nossa frente a avisar quem vem por aí.
O apelido diz tudo. Um Bettencourt, um qualquer Burnay, um Sotto Mayor, são nomes nobres, bem diferentes de um Silva ou de um Santos. Hoje em dia, toda a gente anda a dar aos seus filhos nomes nobres. Tiago, Afonso, Beatriz, Inês, Marta, Filipa, etc. O problema é o apelido. O filho de um Silva e de uma Santos não se pode chamar Bernardo, tem que ser Zé. Zé da Silva Santos.
Não se percebe como é que as pessoas não entendem que a combinação de nomes é uma pequena arte, cheia de métrica e com muita poesia? Um nome é um pequeno texto, mesmo que seja escrito em Excel. Por alguma razão os escritores com nomes esquisitos, arranjam pseudónimos. Miguel Torga não é muito bom, mas é melhor que Adolfo Rocha.
Podemos fazer um apanhado e até dividir os apelidos por classes. Assim ficaria:
 
Classe I - Espectáculo
Os apelidos da classe I, não têm significados concretos. Quando se quiser saber a classe de um apelido pergunta-se sempre: É bicho? É planta? É sitio? É objecto? Só é de 1ª classe se não for nenhuma destas coisas.
 
Classe II – +/-
São aqueles que se querem referir a qualquer coisa, mesmo que não ocorra imediatamente a coisa a que se referem. Por exemplo. Ninguém pensa numa macieira ou num pinto quando é apresentado ao Sr. Macieira ou ao Sr. Pinto. Agora quando se conhece o Sr. Queijo é diferente. A imagem de um queijo, esburacado, permanece durante todo o jantar, sob o olhar risonho e desconfiado dos “jantaristas”. De qualquer das formas, qualquer um deles é de 2ª classe.
Classe III – A nossa vergonha
Os da classe III, não têm meio-termo. É tudo ao monte e fé em Deus, como nas barracas. São aqueles demasiado originais (os Gargantas, as Purificações, etc.) e os demasiado frequentes (Silva, Teixeira, etc.).

Passemos ao nosso critério de avaliação final:
Pega-se no nosso nome completo e atribui-se 1, 2 ou 3 pontos consoante seja de classe I, II ou III. Multiplica-se o valor dos 2 últimos apelidos por 3, soma-se tudo e divide-se pelo número de nomes. Assim:
 
2 ou menos pontos ----- Classe I

2.1 a 4.9 ----------------- Classe II

5 ou mais ---------------- Classe III

Vamos fazer a experiência com um nome desconhecido, "Anibal Cavaco Silva"

Aníbal é Classe I = 1 ponto

Cavaco é Classe III, porque se imagina logo, um mestre-de-obras chamado Cavaco = 3 pontos

Silva é vulgaríssimo, logo é Classe III = 3 pontos.

Então temos: 1 + 3 (x3) + 3 (x3) = 19/3 = 6,3 
CONCLUSÃO: vergonhoso.

Como é que não havemos de fazer cento e dezanove projectos para saber onde vamos fazer o nosso espectacular aeroporto, se nem a porcaria do nome para os nossos recém nascidos conseguimos projectar?


publicado por faustofigueiredo às 15:56
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1 comentário:
De elle_josy a 21 de Junho de 2007 às 03:19
Posso saber quando vai ser a próxima reunião familiar? Tenho uma ótima idéia para um nome!


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