"Todos os devaneios que me vão na cabeça, que me foram da cabeça e que me hão-de vir até à cabeça. Todas as mentiras e verdades que me foram impostas, todas as torturas que eu vi. Todos os momentos; um principio de vida, o meu desnascer."
Sexta-feira, 23 de Fevereiro de 2007
(in)Fidelidades

Um deputado comunista, a quem deve fidelidade? Aos seus eleitores ou ao seu partido?
Em caso de conflito, um comunista, a quem deve fidelidade? À nação ou ao seu partido?
Um deputado comunista, saneado da bancada pelo seu partido, o que deve fazer?
Recusar-se a aceita a decisão, mantendo-se no seu posto e arriscando-se a ver-lhe retirada “alguma confiança política” (outro eufemismo!), ou aceitar o veredicto e ir colar cartazes?
Tudo isto vem a propósito da deputada Luísa Mesquita ter recusado a resignação do seu cargo, a propósito de uma suposta “renovação da bancada parlamentar” (não lembra ao diabo fazê-la a meio de uma legislatura), em que, para além dela, estão envolvidos outros dois deputados, Odete Santos e Abílio Fernandes, os quais aceitaram obedientemente a decisão. “Somos deputados, não somos objectos” terá afirmado a deputada amotinada, quando confrontada com o decisão partidária. “O mandato é do deputado, mas o programa pelo qual foi eleito é do PCP”, terá respondido o secretário-geral. Quer isto dizer que o partido está à frente de tudo, e não há mais conversas. A tão ignóbil precariedade que invadiu o mundo do trabalho, acaba assim por também chegar à política, vinda do sector mais inesperado.
Não gosto de ver um partido de esquerda tratar desta forma os seus representantes eleitos pelo povo, pois deixa-me a amarga sensação de que, lá dentro, a democracia é entendida como um assunto menor, tão descartável como qualquer deputado, mesmo que esse deputado seja um empedernido ortodoxo, que só tardiamente percebeu que lhe podia acontecer a ele, o que, entretanto, já tinha acontecido a outros.
De facto, a gerontocracia cinzenta que continua a manobrar nos bastidores do PCP, não tem nada a ver com democracia, nem sequer com aquela coisa que ironicamente foi baptizada de “centralismo democrático”. Nos momentos cruciais dá-lhes para fazer coisas tão grosseiras como ostracisar e sanear deputados, ou então, exprimir controversas solidariedades, dirigidas ao “querido líder” pseudo-comunista da Coreia do Norte, Kim Jong-Il, e ao seu hediondo regime concentracionário. Aquela casta dirigente, alicerçada numa funcionarite crónica, para quem a própria competência e fidelidade têm um valor duvidoso, continua a usar militantes e quadros políticos como instrumentos e não como pessoas. Quando aqueles deixam de servir os seus interesses partidários, são descontinuados como qualquer ferramenta gasta. Quando não afinam pelo seu diapasão, levam com a etiqueta de traidores, fraccionistas ou reaccionários, e se não renunciarem, é certo que acabam banidos.
Na verdade, não sei se isto não será mesmo propositado. O exemplo está em que tanto conseguem reunir um grupo parlamentar altamente competente, como logo a seguir correm a desmembrá-lo. O PCP continua a ser o partido da liturgia dos congressos, da democracia interna que apenas serve para dar conhecimento das decisões das cúpulas dirigentes, da exploração até limites inaceitáveis, da generosidade dos militantes, dos delitos de opinião, e onde cair em desgraça, tanto pode ser uma consequência como uma inevitabilidade. Avessos a compromissos, os comunistas insistem em viver no seu limbo, com as suas regras muito próprias, são grandes lutadores pelas causas de uma sociedade mais justa, mas continuam a fazer muito pouco para se mostrarem como um possível e credível parceiro de coligação, ou mesmo uma alternativa de governo. Apesar das “paredes de vidro” terem passado a ser expressão obrigatória do seu léxico, e da festa do Avante! ter sido elevada a desígnio nacional, tal não consegue apagar uma matriz autoritária e centralista, que não passa despercebida a ninguém. Mais purga, menos purga, o PCP continuará a achar que tudo lhe é permitido, e tudo lhe será perdoado, se o seu objectivo for sobreviver e seguir em frente, como se ainda vivesse na obscura dureza dos tempos da clandestinidade.


publicado por faustofigueiredo às 11:59
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Esquerda Moderna
O governo anda a pedir sacrifícios aos portugueses, para superar o défice orçamental e os maus momentos por que passa a economia, porém esses sacrifícios não são extensivos a todos. Chega-nos agora a informação, via Tribunal de Contas, que no Metro do Porto, entre os membros da administração, aquilo tem sido um fartar vilanagem. Eles banqueteiam-se com prémios de gestão de 100.000 Euros, atribuídos sem qualquer aprovação e mais alambazados que os praticados nas outras empresas públicas, eles distribuem entre si cartões de crédito com chorudas dotações mensais de 1.247 Euros, mesmo para aqueles administradores sem cargos executivos, e que só lá aparecem de quinze em quinze dias para fazer prova de vida e justificarem os 4.800 Euros de vencimento, eles mandam executar obras sem concurso público, em clara violação das leis, e dão-se ao luxo, pasme-se, de participar em negócios estranhos à actividade da empresa Metro do Porto. Ora vejam lá se adivinham quem é o presidente desta entidade? Acertou! Nem mais nem menos que o senhor Valentim, mais conhecido por “batatas”, dos tempos em que “administrava” a intendência militar, ex-presidente do Boavista e da Liga de Futebol Profissional, e que agora gere o seus interesses pessoais, como autarca cativo das terras de Gondomar, grande distribuidor de electrodomésticos em tempo de eleições, ofensor-ofendido de agentes da PSP e da Brigada de Trânsito, e ainda possível arguido no processo “apito dourado”, que passou a “apito encravado” pelas razões mais que óbvias. Diz ele, impante e insolente, como sempre o conhecemos, que tudo isto não passa de manobras de quem não quer reconhecer o trabalho esforçado e diligente, de gente sacrificada, dedicada à causa pública e cumpridora da lei, que paga impostos, não tem nada a temer nem a esconder, e que portanto não pode deixar de ser condignamente remunerada. Secundou-o, reforçando o seu límpido raciocínio, e com outros tantos argumentos inabaláveis, um conceituado e perpétuo autarca socialista, de nome Narciso, que também vai mamando na tetina do Metro do Porto. Entretanto, conforme divulgam os semanários “Expresso”e “Focus”, a EDP tem um novo assessor jurídico, de seu nome Pedro Santana Lopes, a auferir 10.000 Euros mensais, um quadro superior da GALP, admitido em 2002, sai agora com uma indemnização de 290.000 Euros, para logo a seguir ser admitido na REFER, o filho de Miguel Horta e Costa, recém-licenciado, entra na GALP com um “salário” de 6.600 Euros, o cunhado de Morais Sarmento, transfere-se da ESSO para a GALP com um “salário” de 17.400 Euros, e Ferreira do Amaral, presidente não-executivo do conselho de administração da GALP, é remunerado de forma simbólica pelas presenças com 3.000 Euros mensais, mais um complemento de 10.000 Euros em PPR. Eis quanto custam ao bolso dos contribuintes algumas inutilidades, para somar aos outros milhares de inutilidades que fervilham por esse país fora, e que nada acrescentam ao PIB, muito antes pelo contrário. Do outro lado estão as universidades que se começam a queixar de que estão com sérias dificuldades para pagar o 13º. mês, tanto a funcionários como ao pessoal docente, dado que nem sequer podem recorrer às suas receitas próprias, pois o Estado, de há dois anos a esta parte, cativa esses valores (para além de outros do próprio Orçamento do Estado), desrespeitando a autonomia dos estabelecimentos de ensino superior. “As universidades não são gastadoras, nem contratam pessoas em excesso. Não estamos a pedir nada para nós. Estamos a dizer que para fazer médicos, engenheiros e economistas, o dinheiro não chega”, assegura Leopoldo Guimarães, reitor da Universidade Nova de Lisboa. É evidente que estas universidades não fazem políticos, nem autarcas, nem administradores-biblots, porque senão outro galo cantaria. Entretanto, no meio da fartura para uns e da indigência para outros, este governo da “esquerda moderna”, desinveste em áreas vitais para a sociedade portuguesa e continua a cortar desenfreadamente em certas regalias de quem trabalha, dizendo que o mal do país é estar atulhado de gente trabalhadora com privilégios a mais. São tantas e tão chorudas as regalias que os trabalhadores portugueses desfrutam, que os pobres dos patrões, dos gestores e administradores, continuam impossibilitados de gerir e administrar as suas empresas, de forma a tornarem-nas modernas e competitivas. Este governo que anda a pedir sacrifícios aos portugueses para equilibrar a balança, esbugalha os olhos para uns e vai-os fechando para os outros, os tais que sabem como continuar a facturar regiamente, contornando as barreiras legais e os insistentes pedidos de sacrifícios. Para este governo, inovar confunde-se com reformar, o que não é exactamente a mesma coisa. Para este governo, reformar é desideologizar a acção política e governativa, levando a prosperidade a si e aos seus amigos, e deixando cair nos serviços mínimos o resto da população. Este governo que se diz da “esquerda moderna”, é o tal que promete uma coisa para ganhar as eleições, para depois fazer o seu contrário na acção governativa. É o governo que se diz inovador e reformista, mas que na prática é o governo da degradação das condições de vida, do congelamento dos salários, da espiral do desemprego, do aumento especulativo dos preços de bens essenciais, do aumento de impostos para os que trabalham por conta de outrem, das taxas e comissões a esmo, por tudo e por nada, a par da manutenção do paraíso e das facilidades para a actividade bancária, a indústria do betão, a especulação imobiliária, e a sempre omnipresente economia paralela. Ah, é verdade, este é também o governo da introdução dos cartões de crédito para arredondar os honorários e compensar a “rapaziada” que se anda a sacrificar no serviço público, acumulando prebendas e sinecuras, tendo para isso que prescindir de um terço da reforma, ou um terço do vencimento.
 
 
 


publicado por faustofigueiredo às 11:57
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DEUS NÃO É PORTUGUÊS
 
Quiseram os beatos espalhar o boato de que Deus teria pelejado na batalha de Ourique, disfarçado de lacaio de D. Afonso Henriques, ou em Aljubarrota, sob as ordens de Nuno Álvares Pereira.
No primeiro caso ninguém os levou a sério e, no segundo, a coisa complicou-se com os espanhóis, que têm influência no Vaticano e, mesmo assim, não conseguiram canonizar os reis católicos, tais os horrores que praticaram e, sobretudo, a divulgação que lhes foi dada.
De qualquer modo, Deus não é português. Das catedrais às casas de alterne nunca foi visto, na saúde e bem-estar dos portugueses nunca foi achado e nos momentos difíceis, quando os padres asseveravam a sua protecção, sofremos os piores vexames e as mais trágicas consequências.
Na guerra colonial onde, segundo o cardeal Cerejeira, os soldados portugueses estavam a defender a civilização cristã e ocidental, não foi visto, a menos que estivesse nos massacres e, para não o comprometer, a Igreja mantenha segredo. A irmã Lúcia, muito chegada às coisas do Paraíso, chegou a dizer ao Cardeal que Salazar fora enviado por Deus mas o ditador portou-se tão mal que o melhor é esquecer a divina patifaria.
Deus não é português. Se fosse, já tinha inscrição no Centro de Emprego para receber o subsídio, enquanto clandestinamente, sem fazer descontos, faria biscates no Patriarcado.
 


publicado por faustofigueiredo às 11:53
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Quinta-feira, 22 de Fevereiro de 2007
Guerra e paz

O mundo está cheio de entidades, ONGs e instituições que lutam pela paz. A palavra PAZ é estampada em todos os lugares, desde t-shirt´s, até painéis luminosos. Eventos colectivos são promovidos em nome da paz. Compositores musicais de todos os géneros cantam a paz.

Ainda que toda a humanidade corra atrás dela, a paz não é alcançada. Ao contrário, a guerra é uma constante, embora ninguém diga que a deseje. Nenhum líder mundial ou Chefe de estado jamais afirmou desejar uma guerra. No máximo, a consideram um mal necessário, o último recurso para se resolver um impasse, e, depois de vencê-la, chegar à paz. As guerras têm na dominação a sua causa básica e verdadeira. A mais sofisticada forma de dominação, a económica, é exercida pelos países mais desenvolvidos sobre os menos, e, desde que esses não se curvem, ou, melhor dizendo, insistam em defender muito bem as suas riquezas, criam impasses para o país dominador, que, muitas vezes, têm como único caminho o confronto directo, a guerra.

 Quem inicia o processo da guerra pode ser uma única pessoa, num país totalitário, ou, em países democráticos, um pequeno grupo de pessoas, que, por terem sido eleitos, adquirem o poder de se expressar em nome do país, mesmo que as pesquisas revelem opinião contrária da população. Porém, a democracia não dá a esse pequeno grupo o poder de tomar tal decisão, sem a aprovação dos chamados meios legais, isto é, de alguns Órgãos e Conselhos, de acordo com a Constituição de cada país. Para isso, o verdadeiro motivo da guerra a dominação precisa ser mascarado com outro mais aceitável, transformando a causa da guerra, até mesmo na luta do bem contra o mal, como afirmou recentemente um líder de uma super potência, antes do massacre que instituiu. Com a ajuda imprescindível dos média, o inimigo será pintado como um terrível monstro, que ameaça a paz da região ou do mundo e que precisa ser extirpado.

 Busca-se, desta forma, a cumplicidade de toda a sociedade, ignorando a absoluta contradição com princípios religiosos, que pregam a paz, adoptados pelo próprio grupo que promove a guerra. Finalmente, conseguido um bom motivo, a guerra poderá ser proclamada, de maneira bastante “Civilizada” e “sem ferir os padrões morais e democráticos”. É incrível nunca se ter cogitado, diante de uma decisão tão grave, que envolverá a vida de todos, realizar um plebiscito, para que a população opine. Portanto, a guerra consiste num acto de dominação, decidido por poucas pessoas que detêm grande poder, ainda que, muitas vezes, no decorrer do conflito, ganhe a aprovação de parte considerável da população, influenciada pela propaganda, e também pelo aguçamento do seu lado heróico, ao saber de seus conterrâneos, mortos na frente de combate.

Por outro lado, cada uma das pessoas que decidem a guerra se diz a favor da paz. A paz existirá depois de alcançado o objectivo, ou seja, satisfeito o desejo de dominação. Só que esse desejo, por ser constante, logo criará nova meta a ser alcançada, que poderá gerar outro impasse. Aí, a paz será novamente posta de lado, e se fará outra guerra.

 Todos desejam a paz e promovem a guerra. Não apenas os dirigentes das nações. Eles agem exactamente como a maioria de nós, apenas dispõem de muito mais poder. É uma escala ampliada. Se prestarmos atenção, todos nós, em todas as sociedades, somos, desde crianças, educados para a guerra. A guerra do dia-a-dia é a competição, que começa nas disputas de liderança entre os alunos, nas escolas; na luta pelos cargos de chefia, entre os funcionários das empresas; na luta para ganhar o cliente da concorrente, entre as diversas empresas. Nas religiões, na política, nos desportos, no trânsito, dentro ou fora de casa, no campo ou na cidade, em qualquer país, democrata ou não. Enquanto, em todo o mundo, predominar a competição sobre a solidariedade e o altruísmo, a paz jamais será alcançada. Por mais que se formem grupos, organizem passeatas, pintem faixas ou joguem bombas, em nome dela.



publicado por faustofigueiredo às 11:14
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Segunda-feira, 19 de Fevereiro de 2007
virtual
"Entrei apressado e com muita fome no restaurante. Escolhi uma mesa bem afastada do movimento, porque queria aproveitar os poucos minutos que dispunha naquele dia, para comer e acertar alguns sistemas que estava a desenvolver para o meu futuro jornal, além de planear a minha viagem de férias ao Brasil, coisa que há tempos não me sai da cabeça.
Pedi um filete de salmão com alcaparras em manteiga, uma salada e um sumo de laranja, afinal de contas fome é fome, mas regime é regime não é?
Abri o meu portátil e apanhei um susto com aquela voz baixinha atrás de mim:
- Senhor, não tem umas moedinhas?
- Não tenho, pá.
- Só uma moedinha para comprar um pão.
- Está bem, eu compro um pão, dinheiro não dou.
Para variar, a minha caixa de entrada está cheia de e-mail.
Fico distraído a ver as formatações fantásticas, rindo com as  piadas malucas, arreliando-me com o trabalho.
- Senhor, peça para colocar margarina e queijo por favor.
Percebo nessa altura que o menino tinha ficado ali.
- Ok. Vou pedir, mas depois deixas-me trabalhar, estou muito ocupado, está bem?
Chega a minha refeição e com ela o meu mal-estar. Faço o pedido do menino, e o empregado pergunta-me se quero que o mande embora.
O peso na consciência, impedem-me de o dizer.
Digo que está tudo bem.
Deixe-o ficar.
Traga o pão e, mais uma refeição decente para ele.
Então sentou-se à minha frente e perguntou:
- Senhor o que está fazer?
- Estou a ler um e-mail. 
 - O que são e-mail´s?
- São mensagens electrónicas e automáticas mandadas por pessoas via Internet  (sabia que ele não ia entender nada, mas, a título de livrar-me de questionários desses):
- É como se fosse uma carta, electrónica e automática que é enviada via Internet.
- Senhor, você tem Internet?
- Tenho sim, essencial no mundo de hoje.
- O que é Internet?
- É um local no computador, onde podemos ver e ouvir muitas coisas, notícias, músicas, conhecer pessoas, ler, escrever, sonhartrabalhar, aprender. Tem de tudo no mundo virtual.
- E o que é virtual?
Resolvo dar uma explicação simplificada, sabendo com certeza que ele pouco vai entender e deixar-me-ia almoçar, sem culpas.
- virtual é um local que imaginamos, algo que não podemos tocar, apanhar, pegar... é lá que criamos um monte de coisas que gostaríamos de fazer.
Criamos as nossas fantasias, transformamos o mundo em quase como queríamos que fosse.
- Que bom isso. Gostei!
- Menino, entendeste o significado da palavra virtual?
- Sim, também vivo neste mundo virtual.
- Tens computador?! - Exclamo eu!!!
- Não, mas o meu mundo também é vivido dessa maneira.
A minha mãe fica todo dia fora, chega muito tarde, quase não a vejo, enquanto eu fico a cuidar do meu irmão pequeno que vive a chorar de fome e eu dou-lhe água para ele pensar que é sopa, a minha irmã mais velha sai todo dia também, diz que vai vender o corpo, mas não entendo, porque ela volta sempre com o corpo, o meu pai está na cadeia há muito tempo, mas imagino sempre a nossa família toda junta em casa, muita comida, muitos brinquedos de natal e eu a estudar na escola para vir a ser um médico um dia.
Fechei o portátil, mas não fui a tempo de impedir que as lágrimas caíssem sobre o teclado. Esperei que o menino acabasse de literalmente "devorar" o prato dele, paguei, e dei-lhe o troco, que me retribuiu com um dos mais belos e sinceros sorrisos que já recebi na vida e com um "Brigado senhor, você é muito simpático!".
 
Ali, naquele instante, tive a maior prova do virtualismo insensato em que vivemos todos os dias, enquanto a realidade cruel nos rodeia de verdade e fazemos de conta que não percebemos!
 
 


publicado por faustofigueiredo às 19:08
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Sexta-feira, 16 de Fevereiro de 2007
Esquecer-te
Tentei... Juro que tentei esquecer-te...
Esquecer nossa história,
Nossos momentos ...
Mas foi impossível.
Tu... infiltraste– te na minha mente...
Impregnaste–te no meu sangue...
Insinuaste-te na minha alma ...
Introduziste-te lenta e profundamente na minha vida
Como esquecer-te?
Seria tentar esquecer-me de mim mesmo...
Como tirar-te do meu pensamento...
Se tu és... o meu próprio pensamento?
Tentei te esquecer...
Juro que tentei!
Tentei arrancar de minha pele, as marcas dos seus sentidos...
Procurei exterminar de minha alma , as últimas ilusões de te ter a ti...
Arrisquei a erradicar de minha mente, teus textos... tuas palavras...
Aventurei, a livrar-me do feitiço que me dementava...
Tudo inútil...
Em meus ouvidos, tua voz... teu sorriso... teu ai ai...
Em meus olhos, os teus... teu corpo...
Em minhas entranhas... tu... todo em mim...
Como esquecer-te???
Como tirar-te de mim???
Como arrancar as lembranças???
Ajuda-me, eu peço...
Ajuda-me a esquecer-te!!!
Mas...não dá para te esquecer... E... sabes porquê?
Porque eu não desejo tirar-te da minha memória !
Porque eu não quero afastar ou perder as lembranças!
Porque... se eu não posso, nem devo ter a esperança de te ter a ti...
Quero pelo menos...sofrer ! sentir dor ! e cada vez mais lembrar-me
Da nossa história!. dos nossos momentos ! de TI!!!
 


publicado por faustofigueiredo às 20:04
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Sexta-feira, 9 de Fevereiro de 2007
O Nim é uma opção?

Parece-me muito razoável. Permite mais do que em Espanha, onde os abortos são feitos à luz do perigo para a saúde psíquica - a proposta inclui as razões de natureza económica ou social (repito, "ou social"), até às 16 semanas, o que parece resolver todos os casos em que actualmente, e injustamente, o aborto é punível. Para tal, bastaria certificar: "através de atestado médico, escrito e assinado antes da intervenção, por médico diferente daquele por quem, ou sob cuja direcção, a interrupção é realizada." Mais uma vez, muito razoável. E a Assembleia da República teria toda a legitimidade para fazer esta alteração - já foram feitas alterações semelhantes, por exemplo no alargamento dos prazos.
Mas o pior é que o referendo não é sobre isto. É sobre uma nova alínea: " a) a pedido da mulher e após uma consulta num Centro de Acolhimento Familiar, nas primeiras dez semanas de gravidez, para preservação da sua integridade moral, dignidade social ou maternidade consciente; ". Até às 10 semanas, a pedido da mulher, seja por que razão for. Em vez de enumerar os casos em que a sociedade acha legítimo abortar (e que, como vimos em cima, podem ser muitos), esta alínea permite tudo, desde que seja até às dez semanas, mesmo razões que podemos ainda não imaginar. Esta alínea já me incomodava antes de me ter ocorrido que, por exemplo, uma mulher pode abortar se já souber o sexo do filho e não estiver interessada. Se calhar a sociedade também quer permitir isso, admito. E se for por não ter olhos azuis? Ou por vingança depois de uma discussão com o outro progenitor? (para não falar nos direitos deste, que embora sejam impossíveis de defender na prática, por vários motivos, devem ser tidos em consideração).
Quando se permite tudo, as possibilidades são ilimitadas.
Gostava que alguém com algum peso político criasse um Movimento pelo NIM, que apelasse ao voto em branco, que é validamente expresso, e à assinatura simultânea de uma petição para que a AR legislasse no sentido da alínea C sem a alínea A. Se os votos em branco fossem suficientes, o referendo não teria validade jurídica, mas a mensagem política seria clara. Mas não é esse o país que temos. Como só me dão estas duas hipóteses, vou ser obrigado a votar TALVEZ, na esperança que mais tarde saibamos lidar com os novos problemas que vamos criar.
 
 
Não percebo este referendo. Não concordo com a situação actual mas o que vai ser referendado é ir longe de mais. Não concordo com as posições mais frequentemente defendidas por ambos os lados, mas raramente ouço vozes moderadas. O projecto de lei que está disponível no sítio do grupo parlamentar do PS (http://ps.parlamento.pt/?menu=ivg) propõe alargar as condições actuais em que se permite o aborto para não punir: c) caso se mostre indicado para evitar perigo de morte ou grave e duradoura lesão para o corpo ou para a saúde física ou psíquica, da mulher grávida, designadamente por razões de natureza económica ou social, e for realizada nas primeiras 16 semanas de gravidez;


publicado por faustofigueiredo às 17:35
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BLOCO DE ESQUERDA DIZ QUE SIM, EU CHAMO-LHES ABORTOS
Se tudo correr mal, pessoas iguais a esses senhores, já não existem daqui a uns anos. Fico estupidamente estúpido e camelamente camelo com esta história do aborto. Não é possível que num país que se diz desenvolvido, possa sequer por a hipótese de sacrificar inocentes pelos erros de dois aventureiros, sim porque hoje em dia só tem relações sexuais desprotegidas quem for aventureiro ou estúpido. Será que não entendem que eles não pediram para ser feitos, e se o foram (quer por erro ou não) não deixam de ser pequenos seres que se estão a gerar, são pessoas, é gente caramba… e com que direito é que há seres animalescos a tirar a vida de um ser vivo? A partir do momento em que é gerado, começa ali uma nova vida, um novo ser com direitos e ninguém, normal pois claro, tem o privilégio de violar esses direitos, porque é uma cobardia atentarmos contra a vida de alguém que não se pode defender.
Ao votarmos a favor do aborto estamos a votar a favor do crime, a favor do assassínio, a favor de um retrocesso da civilização. Fomos os primeiros a abolir a pena de morte…
Sendo assim com que moral punimos os assassinos e matamos também? Sim, é a mesma coisa, um assassino ou uma mulher que pratica voluntariamente o aborto merecem ser punidos da mesma maneira. Ainda por cima, a lei que o governo quer implementar é só por si um crime, despenalizar até às 10 semanas? Por favor pensem um pouco, com 10 semanas de gestação o feto já apresenta actividade cardíaca, os seus órgãos vitais já funcionam e só pedem uma oportunidade. Enquanto países desenvolvidos optam trabalhar numa boa educação sexual e subsidiar as famílias (Ex. Alemanha 25000 euros a mulheres que dão à luz) para aumentarem a população, Portugal com os seus choques tecnológicos, fomenta o contrário.
Como podemos nós fazer um referendo sobre o aborto, se os mais prejudicados nem sequer têm direito a voto.
Tudo isto reflecte a FALTA de AMOR, HUMANIDADE, RESPEITO PELA VIDA a que este mundo está reduzido.

EU DIGO...SIM À VIDA
EU VOU VOTAR NÃO AO ABORTO!!!!!!


publicado por faustofigueiredo às 17:27
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