"Todos os devaneios que me vão na cabeça, que me foram da cabeça e que me hão-de vir até à cabeça. Todas as mentiras e verdades que me foram impostas, todas as torturas que eu vi. Todos os momentos; um principio de vida, o meu desnascer."
Sexta-feira, 7 de Setembro de 2007
OS CASÓRIOS DE AGOSTO E OS OUTROS TAMBÉM
 
 O Verão é a única estação do ano que é tão maravilhosa quanto horripilante. Se por um lado há calor, praias, esplanadas e um número considerável de mulheres seminuas, prontas a mostrar os seus belos e arrebanhados seios, todos salientes à custa da imaginação de um gajo norueguês que se lembrou de colocar uns ferrinhos nos soutiens para realçar as mamocas, por outro lado há os famosos casamentos de Agosto, cheios de florzinhas e fitinhas. A mim até nem me afectam muito. O único problema é que insistem, com frequência, em convidar-me para as cerimónias. Lá que amigos, colegas de trabalho e familiares queiram dar cabo da sua vida é lá com eles, agora, que façam questão de me ter lá para assistir e servir de testemunha oficial, numa posição privilegiada, lá na igreja, ao início do descalabro e da desgraça, é que é mais desagradável, principalmente, porque se me estão a acabar as desculpas minimamente aceitáveis. Nos últimos tempos já tive, duas doenças infecto-contagiosas, outras tantas venéreas, fui vítima de um sequestro, quatro prisões domiciliárias, submetido a transplantes dos mais diversos órgãos e a ultima desculpa foi a de que tinha sido chamado para a guerra no Afeganistão.
Posto isto e mais os factos, não me restou outra alternativa senão deslocar-me recentemente a mais uma boda. Aproveitei a ocasião para estrear um belo fato D&G e fazer algumas observações sagazes sobre o assunto.
 
APERITIVOS, ALMOÇO E GULA
A primeira conclusão a que cheguei: A expressão “COMER ALARVEMENTE ANTES DO ALMOÇO” foi inventada a pensar exclusivamente nos banquetes de casamento. A ideia era nitidamente acalmar os ânimos dos convidados. É sempre difícil de imaginar a quantidade de comida que seria necessária, concentrar no mesmo espaço, se não se tivesse introduzido na nossa sociedade esse toquezito de contenção pseudo-religiosa. Dava com certeza para matar a fome a uma dezena de países africanos. Também é fácil de entender todos os porquês, de se ter colocado logo a gula, na lista dos Pecados Mortais. Da forma como todos se atiram aos chouriços, bolos de bacalhau, enchidos, mesas de queijos, mariscos e sei lá mais o quê, as hipóteses de se ter um enfarte ou um AVC são bastante elevadas. Fico sempre com a sensação que há por ali pessoal que deixou de comer assim que recebem o convite de casamento. Ao mirar aquela orgia gastronómica neste último casamento, não pude deixar de concluir que o pensamento corrente é, “se te dei uma prenda no valor de 150€, bem posso comer até esse valor, ora somos três, divide-se… dá 50€ a cada, portanto, hummm, talvez cinco camarões a cada um. Como o meu filho ainda não come eu posso sempre comer oito e a minha esposa sete. Quanto aos rissóis… ”, e por ai fora
 
FOTOGRAFIAS
Outro aspecto interessante dessas festas que são os casamentos é o momento das fotos com os noivos. Todos insistem em tirar fotografias e quase que chegam a vias de facto, com os maluquinhos que se casaram, mesmo que estes já estejam quase a desfalecer, visivelmente desidratados. Nada disso parece incomodar os convidados. O que importa é registar aquele sádico momento. Todos querem uma prova evidente de que lá estiveram. As motivações dessa mania é que têm vindo a mudar. Nas décadas de 60 a 80, as pessoas tiravam fotografias com os desgraçados noivos, para uns 15 anos mais tarde, mostrarem aos filhos as grotescas e apalhaçadas fatiotas que tinham coragem de usar. Obviamente, ninguém acreditaria que pudesse ser possível ter-se saído assim vestido à rua, quanto mais aparecer em eventos de confraternização grotesca, onde estão pessoas que nos conhecem. Poder ser gozado pelos filhos fazia parte do vómito imaginário e social desses tempos. Mais tarde, a partir da década de 90, as pessoas passaram a querer ter uma fotografia que prove que aquele casamento existiu mesmo, talvez devido à drástica diminuição do prazo de validade dos casamentos.
 Enquanto o fotógrafo diz olhem para aqui, os outros pensam “Hummm, dou-lhes seis meses. No máximo dos máximos...
 
Quanto a mim, este seria o momento ideal para os pôr imediatamente em contacto com o verdadeiro espírito do casamento: as fotografias deveriam ser tiradas na prisão do Vale de Judeus ou Custoias ou ainda em qualquer outra penitenciária que fique ali por perto. Assim sim, faria sentido e eles viveriam felizes para sempre.


publicado por faustofigueiredo às 17:00
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