"Todos os devaneios que me vão na cabeça, que me foram da cabeça e que me hão-de vir até à cabeça. Todas as mentiras e verdades que me foram impostas, todas as torturas que eu vi. Todos os momentos; um principio de vida, o meu desnascer."
Quarta-feira, 3 de Janeiro de 2007
Os Tugas

As generalizações são sempre perigosas e injustas, mas servem para pincelar e dar expressão a uma ideia.

Obviamente que há em Portugal muito boa gente, aberta, interessante, preocupada e generosa. Mas também há o fenómeno inverso, de pessoas mal formadas, de instintos rasteiros e maldosos, altamente egoístas. Sacripantas que não interessam nem ao Diabo.

Falamos, claro está nos "Portugas", ou se quisermos ser mais afectuosos, nos "Tugas" nas suas diferentes modalidades e embalagens. Desde o Tuga Bimbo - boçal, manhoso, todo espertalhão no esquema e no parlapié de feirante a sacar o brinde do bolo rei e a passar a fava aos outros -até ao "Tuga deJect Set" - presunçoso, afectado, todo finesse e verniz estaladiço, plenos de snobice e ostentação pateta, a desunharem-se para aparecer na frontaria da revista "Caras". Uma malta que se julga de uma casta superior por andar em jipes foleiros de 10 mil contos, passar férias nos Al-Garbs da moda e beber flutes champagne "Bruto"no T-Club, vestidinhos de blazer azul, camisa desabotoada, e cachucho brasonado no mindinho a luzir caganças.

 Depois temos o Tuga intelectualóide e o Tuga artista, muito em voga nas novas gerações e espécie abundante nos circulos universitários. Gente cuja produção intelectual e criativa se resume a uns brilharetes de café, de bejeca em punho a fanfarronar estiradas estético-filosófico-carnavalescas, zurzindo verdades absolutas, preconceitos e dogmas tolos decorados nos pasquins da moda para impressionar las chicas ou los chicos.
Depois há o Tuga atinado, espécie perigosa e muito comum nos sub-30. Todos certinhos, penteadinhos e perfumadinhos. Uns nove horas que nunca disseram uma asneira, apanharam uma bebedeira ou tiveram uma letra para pagar, e portanto, se entregam a uma vida grelhadinha, sem sal, feitas de joggings e visitas ao Dolce Vita, ao Domingo. Uma camarilha de sonsos, de sorriso falso e reluzente, mas sempre a postos para uma punhalada no escuro, assim sirva os seus intentos, o seu aumentozinho, a sua casa com lareira, ou seu carrinho económico a gasóleo a pagar em esclavagistas dízimas mensais.


Temos líderes de partidos de oposição que são o protótipo do Xico Esperto, tão pródigos em oportunismos e malabarismos de ocasião. Tivemos um presidente do Benfica que roçou o escândalo como Xico Espertalhão, um presidente do FC Porto que é um Xico Muito Esperto. Nas televisões temos dois bwanas com tiques de capataz, que mais parecem vendedores de sabonetes de meia branca, e que são Xicos Espertos a ensaboar todos os dias, 8 milhões de portugueses. Depois temos uma data de básicos fechados numa casa, a prostrarem-nos junto ao televisor de mãos postas a rezar "espero que os meus filhos não fiquem assim". É naturalmente um concurso para eleger o mais esperto dos Xicos. Depois temos manequins com dislexia que são tão xico espertos que até ganham glóbulos de ouro, temos xicos espertos nas artes, temos uma xica esperta na literatura a vender livros "Sei Lá" - como aguinha. Xicos espertos nos jornais, xicos espertos nas empresas, nos bancos.

Eles andam aí ! No mimetismo dos comportamentos, os xicos espertos anónimos, aqueles que fogem ao fisco, que andam no trânsito sempre a fuçar pelas prioridades, nas portas das discotecas, nos bares, nas faculdades, nas autarquias, nas filas de supermercado, nas doenças de stress em Guimarães para não fazer exames, nos atestados médicos. A regra é da pisadela, a moral a da hipocrisia, o modus operandi o pontapé na traqueia.

 Temos Xicos espertos em todo o lado, a toda a hora. A nacional espertice é uma instituição e o Xico Esperto o seu mais célebre dignatário.

Valha-nos a paciência ou em último recurso, emigrar, para Cuba, que tem gente quente e simpática, e por lá sornar ao som de Compayo Segundo, a bebericar daiquiris até esquecer deste triste e medíocre rectângulo de alcatifa maltratada, reino dos ácaros, um país chamado Portugal.

Falamos em todo os casos de um fenómeno transversal e comum a todas estes espécimens de Tugas - O xico esperto. Portugal é o país do Xico Esperto: temos um Presidente da República que é um xico esperto, que avançou à má fila para uma candidatura à presidência, antecipando-se a outros, quando no seu curriculum apenas contava com uma liderança à frente do europeu País e uma derrota como outro Xico que também só contava com uma presidência atabalhoada de uma autarquia. Temos um Governo que é um batalhão de xicos espertos, especialistas na gestão da arte nacional da cunha e do tacho.


publicado por faustofigueiredo às 16:37
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