"Todos os devaneios que me vão na cabeça, que me foram da cabeça e que me hão-de vir até à cabeça. Todas as mentiras e verdades que me foram impostas, todas as torturas que eu vi. Todos os momentos; um principio de vida, o meu desnascer."
Sexta-feira, 23 de Novembro de 2007
A FEIRA DA CASTANHA NAS TERRAS DE MONTENEGRO
No dia de São Martinho, virei costas a Argemil e rumei a Carrazedo de Montenegro, para ver a maior e única feira da castanha do concelho.
Quando me cheguei perto, dei conta da enorme quantidade de gente que aos encontrões tentava circular. Muita castanha, um concurso para a maior, a colaboração de algumas Juntas de Freguesia da montanha, muita jeropiga e bastante animação, em consequência da mesma.
 A Castmonte 2007”, realizou-se no fim-de-semana de São Martinho. Levou alguns milhares de pessoas a irem apreciar as ricas terras de Montenegro, aliás como sempre acontece desde 1996, ano da sua primeira edição.
Muito para além da comercialização da castanha esta feira é importante na divulgação da mesma e de outros produtos regionais. Para esta edição da Castmonte, estava aguardada com as maiores expectativas, a inauguração do Pavilhão Empresarial de Carrazedo de Montenegro, o tal que ainda ninguém conseguiu perceber para que serve além da realização desta feira. E no topo do bolo a cereja, ou melhor, a confecção de um bolo de castanha com mais ou menos de seiscentos quilos, diziam eles.
Há muito que aprecio a diversidade das associações de ideias que cada um de nós faz em relação à mesma coisa. Em relação ao São Martinho, dizia-me um amigo meu alfacinha que a primeira coisa que lhe vem à cabeça são as feiras das castanhas, que proliferam por esse país fora.
Na nossa feira o que há mais é gente a perder de vista, o sovaco do vizinho dentro do nosso nariz, matilhas de criancinhas histéricas numa correria infernal, carradas de exemplares de um jornal de Valpaços, com uma entrevista ao presidente da Câmara e outra ao presidente da Junta de Freguesia local, aliás, como se impõe nestas alturas. Agricultores barrigudos a discutir qual o valor do seu produto, vários Fiat Punto GTI V6 Kompressor e Peugeot 206 RS Turbo de suspensão rebaixada, misturados com carrinhas de caixa aberta, estacionados no mais recente espaço para o efeito, gentilmente concluídos pela Câmara Municipal, à ultima da hora, outra coisa que se impõe nestas situações...
Quis fazer o raciocínio de que Carrazedo de Montenegro, fica com mais encanto nestas alturas, utilizando uma expressão muito em voga lá para os lados onde nasci, quando me vi a imaginar uma Feira da Castmonte, com um espaço reservado aos agricultores para exporem o seu produto, com restaurantes a fornecerem comidinha com receitas em que a castanha fosse rainha, onde os bares tivessem condições para trabalhar, água inclusive, onde as panificadoras e padarias se juntassem num local e os apitos, peles e livros, quadros e estátuas dos nossos artistas e coisas assim do género tivessem também o seu espaço mas longe do produto. A minha vontade e o meu sonho esvaíram rapidamente em calafrios, quando vi, este ano, uma espécie de baralhada total. Peles com castanhas, apitos com jeropiga, bolos com livros e o já famoso pavilhão da EHETB vazio.
Aqueles espaços, feitos de tábuas e paredes desalinhadas, as colunas a fazer um ruído ensurdecedor, todo o dia, com elevados decibéis, incapazes de emitir um único som de jeito, incapazes de uma frase ser compreendida. Uma musiquinha de bradar aos céus, um mix de Ágata com Kenny Rogers.
Na tenda um gelo de morrer, enquanto os únicos que não o sentiam eram aqueles que atulhavam os bares, cheiinhos de sede, que é assim que eles acham que se devem festejar as coisas boas que acontecem na Vila.
No ano anterior, a Junta de Freguesia chamou a si a organização do evento. Só o temporal (muita chuva) estragou um pouco, se bem me lembro. A feira primou por uma organização impecável. Este ano juntou a mesma Junta de Freguesia e a Associação Regional de Agricultores das Terras de Montenegro. Resultado? Pior mesmo só as feiras dos santos em anos de eleições. Nessas alturas, os ocupantes do senado, ditos políticos, querem brilhar. Pensam que se nos encherem a vista com aquilo que denominam de «bom programa» arrebatam mais uns votos. De preferência um que custe muito dinheiro. Bom e barato já não existe, dizem orgulhosamente de café em café, com boletins de votos nos olhos. Este ano, como não há eleições… pimba. Sobraram os batuques de Braga, as marchas e as danças do folclore, a banda, uns rapazes que tentavam heroicamente cantar e tocar musica, onde o melhor da noite foi mesmo uma pessoa da vila que teve de subir ao palco para animar as hostes. Não sei quanto leva a Ágata para cantar uma hora, nem os Diapasão para miar durante outro tanto, mas podíamos ao menos tentar a sorte de lhes perguntar, a eles ou outros parecidos.
No domingo, a organização esqueceu-se de animar a zona dos bares e como tal, a coisa não deve ter corrido lá muito bem para aquelas bandas. Não sei, cada um que se defenda. O que eu sei mesmo é que as feiras da castanha e outras do género não se pagam sozinhas. O dinheiro fornecido pela Câmara é o único meio de subsistência.
E depois há a questão da segurança. A estrutura dos palcos que antigamente eram do Faustino, está provado e não restam duvidas, que aguentam. E o resto?... Os WC, devidamente limpos, com papel e em quantidade necessária?... E as saídas de emergência, tapadas com bolos de seiscentos kg?...
Bem, com um bocadinho de pretensiosismo, deixo uma sugestão à próxima organização desta feira. Uma associação de ideias. Prioridades. Pensem e escrevam todas as que vos surjam a partir de «prioridades». Vão ver que dão melhores organizadores e a vila, os habitantes e os turistas, sim porque os visitantes são turistas, agradecem.
No meio disto há uma questão que me preenche os neurónios e que gostava que me esclarecessem. Alguém me sabe explicar o fenómeno de as pessoas irem aos magotes e a esbracejarem freneticamente, para o local onde estava a ser distribuído o repartido bolo? 
No que me toca, ficarei por aqui mesmo. Eu sei que já disse que não gostei muito da Castmonte, este ano, mas as feiras da minha vila são muito melhores que todas as outras, disso podem ter a certeza.


publicado por faustofigueiredo às 12:33
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6 comentários:
De São Banza a 23 de Novembro de 2007 às 15:54
A descrição da feira está o máximo!
Se calhar as pessoas vão correndo para o bolo, porque com a crise que por aí vai receiam que até o bolo se acabe antes de tempo... Até pode só pesar 200Kg , não é? AH! AH! AH!
Um bom fim de semana, caro amigo!
Outra coisa: que acha de Scolari abandonar a sala ?
Abraço!


De São Banza a 23 de Novembro de 2007 às 18:47
Acabei de escrever, gostaria de saber se concorda com a escolha...
Um abraço grande!


De ultra_fascista a 25 de Novembro de 2007 às 14:12
Para mim não passas de um labrego!!!!!!!!!!!!!!!


De gilberto_duwens a 27 de Novembro de 2007 às 12:38
Boas tardes meu amigo. Se o labrego quer dizer rústico, campónio, habitante da aldeia e coisas assim, tem toda a razão em me chamar labrego. Se por contrário se estiver a referir a que eu seja um grosseiro, malcriado, rude, tosto e por ai fora, então meu amigo, vá bugiar, olhe bem para o seu blogue e depois opine.


De Fernando Peixoto a 29 de Novembro de 2007 às 01:04
Meu caro:
Tive um grande amigo, em 1970, na guerra, em Cabinda, chamado Fausto Figueiredo, de que não possuo contactos. Gostava apenas de saber se será o mesmo.
Obrigado
Fernando Peixoto
fernandoacpeixoto@sapo.pt


De gilberto_duwens a 30 de Novembro de 2007 às 12:40
Não. Tenho pena, mas não sou o seu amigo.
Tenho 42 anos, chamo-me Gilberto Vicente.
Fausto Figueiredo foi um professor de Inglês, que eu tive o prazer de ter como meu orientador, no Liceu José Falcão em Coimbra. Tinha a particularidade de ser invisual, talvez por isso e por todas as dificuldades que isso originava, foi um guru para mim. Daí a minha homenagem.
Obrigado


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