"Todos os devaneios que me vão na cabeça, que me foram da cabeça e que me hão-de vir até à cabeça. Todas as mentiras e verdades que me foram impostas, todas as torturas que eu vi. Todos os momentos; um principio de vida, o meu desnascer."
Quinta-feira, 13 de Dezembro de 2007
UMA EXPRESSÃO "ALEGADAMENTE" MUITO IRRITANTE
 

Nos últimos anos, em que a comunicação social descobriu o filão judiciário, tem pegado a moda nos meios jornalísticos de utilizar a torto e a direito a palavra "alegadamente". Hoje, é praticamente impossível ouvir uma notícia de alguma forma relacionada com a Justiça em que o advérbio "alegadamente" não esteja lá pelo meio. Já não interessa se faz ou não sentido, ou porque é que, na génese, se começou a utilizar a dita expressão. É preciso é que lá esteja a palavrita, a conferir à notícia a devida chancela judicial. Já estou a ver um editor a emendar um jornalista estagiário que lhe entregou uma peça sobre um qualquer processo judicial “Oh Zeca, isto até nem está mau, mas falta aqui uns alegadamentes, pá!” O problema é que a malta das redacções, querendo demonstrar uma grande preparação técnica, resolve vomitar sempre o “alegadamente” da praxe, esquecendo-se, porém, de previamente dar uso à sua cabecita formatada a cuspo. Sem exagero, já tinha lido ou ouvido expressões como “alegada sentença”, “alegado arguido”, “alegada acusação” e “alegada condenação”. Ontem, encontrei mais uma destas pérolas. No Público on-line ainda se pode ler: “O director-geral da SAD do Benfica, José Veiga, apresentou hoje a sua demissão na sequência do arresto dos móveis da sua casa, alegadamente por decisão dos tribunais”. Reparem bem, “alegadamente por decisão dos Tribunais”. Não fosse o arresto, porventura, ter sido por decisão de uma corporação de bombeiros voluntários. Para estes jornalistas, nunca se sabe. À cautela, foi "alegadamente" o Tribunal. Já era altura de alguém explicar a estes gajos que nos Tribunais nem tudo é “alegadamente”. Uma sentença é uma sentença. Uma acusação é uma acusação (ainda que os factos lá contidos possam, ou não, corresponder à verdade). Ou se é arguido, ou não se é arguido. E não é preciso ser mestre em direito para perceber que um arresto foi DE CERTEZA ordenado por um Tribunal



publicado por faustofigueiredo às 17:22
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3 comentários:
De São Banza a 14 de Dezembro de 2007 às 17:16
Meu caro amigo, não será que essas criaturas escrevem assim porque são "alegadamente" jornalistas?!
Grnde abraço!


De Josy a 17 de Dezembro de 2007 às 00:00
Alegadamente... eita racinha imprestavel... coisa de advogado!


De gilberto_duwens a 23 de Janeiro de 2008 às 14:38
oi, tudo de bom


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