"Todos os devaneios que me vão na cabeça, que me foram da cabeça e que me hão-de vir até à cabeça. Todas as mentiras e verdades que me foram impostas, todas as torturas que eu vi. Todos os momentos; um principio de vida, o meu desnascer."
Terça-feira, 12 de Fevereiro de 2008
HISTÓRIA DE PORTUGAL PARA MIUDOS DE 10 ANOS
No princípio foi assim:
Um tal de Henriques, não ia muito à bola com a mãe e acabou por se vingar nos marroquinos que viviam do outro lado do Tejo, junto aos terrenos do futuro aeroporto de Alcochete. Para piorar ainda mais as coisas, casou com uma espanhola. Não lhe chegou a aquecer os motores porque ela apanhou uma doença muito em voga na altura, chamada peste negra e foi desta para melhor. Pouco depois, o gajo bateu também as botas. Para a coisa não ficar completamente entregue à bicharada, um tal João que, ajudado por um amigo de infância, que era todo dado para a cachaporrada, conseguiu pôr os “nuestros irmanos” a fazer pão e ainda arranjou uns euros para comprar uns barcos ao filho que era dado aos radicais desportos náuticos. De tal maneira que decidiu pôr os barcos a render que montou uma agência de viagens e inaugurou o primeiro cruzeiro marítimo entre Lisboa e o China com passagens no Funchal, Brasil, Angola, Moçambique, Índia, Timor e Macau. Quando se deu o “Crash” da bolsa de Nova York, a coisa ficou feia e o gajo ficou teso. Só com um pacote de pimenta para recordação, resolveu ir afogar as mágoas, provocando o pessoal de Alcácer-Quibir para uma cena de pancadaria.
Felizmente, tinha um primo, o Filipe, que não se importou de tomar conta cá do burgo, até chegar outro João, que enriqueceu com os reais que a tia lhe mandava do Brasil. Acabou por gastar tudo em conventos para a padralhada e aquedutos que ainda hoje existem. Com conventos a mais e dinheirinho a menos, as coisas lá se iam aguentando até começar tudo a abanar numa manhã de mil setecentos e picos. A coisa partiu-se toda, nem o estádio da luz se aguentou. Passado pouco tempo já estava tudo arranjado outra vez graças a um Sebastião que dava jeitos para o bricolage e não era mau gajo, apesar de usar umas perucas abichanadas.
Foi por essa altura que o Franceguês Napoleão resolveu perguntar se o Pedro podia ir brincar aos futebois com o irmão mais novo. Um tal de Miguel, teve uma crise de ciúmes e tratou de armar um raio de uma confusão tal, que só acabou quando levou um valente pontapé no cu do mano, que já ia a caminho do Brasil para tratar de uns negócios familiares. Passado algum tempo, o pessoal começou a votar, mas as coisas não melhoraram, por isso que um Carlos, gordo até dizer chega, levou uns tiritos enquanto passeava de carroça pelo Terreiro do Paço. O povo assustou-se com o barulho e toca a esconder-se num buraco, na longínqua Flandres, onde continuaram a ouvir tiros mas desta vez apontados à cachimónia deles e disparados por alemães loiros.
Ainda não tinha chegado o intervalo já perdiam por muitos. O jogo só não chegou ao fim porque uma tipa vestida de branco, apareceu a voar por cima de uma azinheira, num dia de sol e chuva, e três pastores que foram primeiro doidos, depois foram mortos e mais tarde foram beatos.
Se não fosse por um velho qualquer das Beiras, a confusão tinha continuado. Felizmente a coisa não deu continuidade e Angola continuava a ser nossa, juntamente com a os poços de petróleo e os escravos, mesmo que andassem por aí a dizer que era mentira. Comunistas dum raio! Tanto insistiram que o raio do velho se mandou da cadeira abaixo e houve tamanha confusão, que foi preciso pôr um tanque e um molho de cravos por cima do assunto.
Depois parece que apareceu um Mário qualquer que assinou um papel que nos colocou fora das Africas e levou-nos para a Europa, onde mais tarde um penteadinho de Veiga de Lila havia de ser chefe da matilha. O animal ainda teve tempo de transformar uma porcaria de uma lixeira, numa exposição mundial e mamar dois golos da Grécia na final. E o Cavaco? Bem, o Cavaco foi com o Sócrates e o palhaço no comboio ao circo e no fim foram fazer o simplex.


publicado por faustofigueiredo às 17:48
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2 comentários:
De Anónimo a 12 de Fevereiro de 2008 às 22:32
Adorei! Se a história que eu estudei fosse assim tão simpática e divertida eu teria sido uma excelente aluna. Mas que fazer? Acho que Cavaco não devia ter ido de comboio ao circo com Sócrates e o palhaço. Penso que devia ter ido sozinho para desfrutar das palhaçadas . Beijocas e orgulho-me de ti. Mãe


De São Banza a 19 de Fevereiro de 2008 às 16:08
Continua com um acerado sentido de humor, que me delicia.
Só tenho pena de não o encontar lá pelo meu espaço...
Pronto, já sei: li ali em baixo que os seus dias ainda só têm 24 horinhas como os nossos.
Abraço. amigo.


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