"Todos os devaneios que me vão na cabeça, que me foram da cabeça e que me hão-de vir até à cabeça. Todas as mentiras e verdades que me foram impostas, todas as torturas que eu vi. Todos os momentos; um principio de vida, o meu desnascer."
Quinta-feira, 6 de Março de 2008
Um orgulho chamado FêCêPê

Ontem foi o tal dia que me doeu o coração até aos fins dos costados. Que quer isso dizer em futebolês? Que o Porto tinha acabado de ser eliminado por penaltis contra o Kaiser. Sim Kaiser, aquele guarda-redes que deve ser o maior sortudo da vida ou então cornudo. Alguma coisa o gajo é... também pode ser bom guarda-redes, mas duvido.

E o Quaresma? Como se pode falhar aquele golo. E o Marrocan maluco? Vontade de dizer – “Ò meu Deus, como é possível teres desenhado aquele cenário todo?”

Escusado será dizer que a minha viagem até casa foi a mais longa da minha vida. Hoje estou doente, amanhã irei repisar o sucedido, depois de amanhã vou revoltar-me com o Jesualdo e finalmente no Domingo vou achar que os loirinhos lá da Alemanha foram os grandes culpados pela 1ª e 2ª Grandes Guerras.

Como é bom celebrar condignamente a grandeza da minha paixão. Fazer parte desta imensidão de chamas bem acesas conforme escreveu um certo poeta. Sentir gratidão pelo orgulho que nos ensinou a sentir, cada vez que nos levantamos, no palco do Dragão, a ver os 11 jogadores vindos de um túnel e aparecer numa relva que nem nota a cor que tem.

Porquê? A grandeza, a imensidão atinge-se por si só. Não se compra.

Descobri que não há nada melhor do que ter um blogue próprio para poder explicar todos os porquês de ser portista e o que esta verdadeira paixão envolve.

Ser portista é antes de mais um estado de alma. Naturalmente todos os adeptos do futebol dirão isso do seu clube. Mas basta ver a festa que percorre o país aquando das reconquistas dos títulos que se repetem todos os anos, para ver a loucura com que este clube contagia os adeptos, os “berdadeiros adepetos, carago”

As primeiras recordações do meu Porto remetem-me para os inícios da minha vida, tinha eu 7 ou 8 anos. O Pavão, esse Flaviense fantástico, tinha acabado de falecer em pleno campo. A pena pelo jogador e a vontade de ver de perto como um adepto reage nesses momentos levaram-me de Coimbra às Antas, esse grande estádio que tantas alegrias me deu. Lembro-me de ir às Antas, com o pai de uma migo meu ver um jogo (nem me lembro qual o clube, penso que era a CUF) em que o Porto venceu por 3-0… Fantástico o ambiente. Estádio cheio, superior Norte vestida de azul, Arquibancada completamente cheia, milhares de bandeiras no ar. O Porto acabava de ganhar à arrogância lisboeta, ainda que representada por um pequeno clube, que se começava a impor no país.

Foi o começo de um amor que nunca há-de terminar.

Depois ao longo do início de hegemonia portista, e mesmo morando longe da cidade do Porto, nunca desarmei e mantive-me sempre intransigente na defesa das cores do meu clube de coração. Porque não se é do Porto por morar na Invicta, em Carrazedo de Montenegro, em Lisboa, em Luanda ou em Macau. É-se do Porto porque se gosta e porque a sensação que aquele clube nos provoca quando ganha ou quando perde é algo indescritível. Com o FCP já chorei de tristeza e de alegria, já me escondi no quarto de trombas e sem falar com ninguém. Já assisti ao vivo a grandes vitórias da Liga dos Campeões Europeus, da Taça UEFA e até da extinta Taça das Taças, com ambientes que tinham tanto de inesquecíveis como de fabulosos. Vi jogos fantásticos, vi derrotas históricas. Estive em Viena nos 2-1 do calcanhar do Madjer, no fantástico golo do Derlei conta o Celtic e ver os ricaços do Mónaco a serem cilindrados pelo grupo do Mourinho. E aquela do “Difícil mas não irrepetível”? São momentos destes que me marcaram e que me marcarão para toda a vida, coisas que nunca as esquecerei.

Como se explica aos seis milhões de vermelhos e aos três milhões de verdes, como nos sentimos quando as noticias do mundo dão o nosso Baia como melhor guarda-redes do mundo e ao mesmo tempo o brasileiro maluco acha que ele não cabia na nossa selecção? Como se explica a eles que os mais vermelhos de todos (Artur Jorge, Fernando Santos e Jesualdo Ferreira) e o mais verde (José Mourinho), tiveram de vir para o meu FCP para poderem serem campeões?

É por tudo isto que em boa hora me tornei portista. E ao longo da minha vida espero que critiquem, que arranjem apitos dourados. Mas não deixem de o fazer, porque será mau sinal.

 

Deixo aqui um poema de um amigo meu:

 

Ser Portista não é fácil

É ser ladrão sem nunca ter roubado

É ser burlão sem jamais ter lesado

Ser Portista é bem difícil

 

É dormir campeão, mérito dos jogadores

E acordar vilão, por inveja dos vencidos

É aguentar mentiras dos nossos detractores

E aprender a lidar com factos distorcidos

 

É assistir a pernas a partir, sem ser falta

Golos a entrar sem nunca terem entrado

Tudo a bem da nação e para animar a malta

Conivente com o Apito Encarnado

 

Ver o Vale a ser preso por burla agravada

Ver o Veiga arrestado em praça pública

Ver o Vieira a fazer de virgem pudica

Arautos da verdade fabricada.

 

Livros assinados por pegas corajosas

Filmes de jornalistas invejosas

Tudo em nome duma história inquinada

E a pensar em milhões que nunca ganham nada

 

Ver Magistradas a conduzir testemunhas

Procuradores-Gerais a serem parciais

É ver dossiers na gaveta por falta de unhas

Enquanto outros são considerados fulcrais

 

Ser Portista é agir com o coração

É ver por entre as mágoas de terceiros

A verdade que cala os arruaceiros

Ser Portista é ser livre, é ser dragão!

 

Miguel Oliveira


sinto-me: BIBÓ PUORTO
música: Estes são os Filhos da Nação

publicado por faustofigueiredo às 16:47
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6 comentários:
De Primo Ricky a 10 de Março de 2008 às 14:02
Esses teus ataques de bichanice ainda te vão tramar um dia!
Tom lá beijos!


De gilberto_duwens a 10 de Março de 2008 às 16:18
a isto se chama uma bichanice nortenha

:) tichau, até para o ano. Pode ser que o Camacho venha outra vez. Há quem diga que à terceira é de vez


De Primo Ricky a 14 de Março de 2008 às 15:06
Não digas mal de quem te tem dado muitas alegrias!
Além de te darem um campeonato descansado, cada vez que jogam, até dá vontade de rir!


De Sérgio Morais a 10 de Março de 2008 às 23:55
Deixando de lado o "clubismo" ou a "clubite" :) aconselho, se ainda não o fez, a leitura do meu artigo "Norte e Sul" no meu blogue noticiasdevalpacos.blogspot.com
Saudações benfiquistas:)


De gilberto_duwens a 11 de Março de 2008 às 12:30
Essa é que é essa... o Porto geograficamente falando, é muito mais a sul que o Norte.
Abraço e saiba que o leio variadissimas vzs.


De Sérgio Morais a 11 de Março de 2008 às 16:38
Obrigado por visitar os meus blogues. também visito os seus com regularidade.
relativamente ao artigo que referi, fique sabendo que aquando da sua publicação no JN deixou mt gente mal disposta...
Abraço.


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