"Todos os devaneios que me vão na cabeça, que me foram da cabeça e que me hão-de vir até à cabeça. Todas as mentiras e verdades que me foram impostas, todas as torturas que eu vi. Todos os momentos; um principio de vida, o meu desnascer."
Quinta-feira, 22 de Fevereiro de 2007
Guerra e paz

O mundo está cheio de entidades, ONGs e instituições que lutam pela paz. A palavra PAZ é estampada em todos os lugares, desde t-shirt´s, até painéis luminosos. Eventos colectivos são promovidos em nome da paz. Compositores musicais de todos os géneros cantam a paz.

Ainda que toda a humanidade corra atrás dela, a paz não é alcançada. Ao contrário, a guerra é uma constante, embora ninguém diga que a deseje. Nenhum líder mundial ou Chefe de estado jamais afirmou desejar uma guerra. No máximo, a consideram um mal necessário, o último recurso para se resolver um impasse, e, depois de vencê-la, chegar à paz. As guerras têm na dominação a sua causa básica e verdadeira. A mais sofisticada forma de dominação, a económica, é exercida pelos países mais desenvolvidos sobre os menos, e, desde que esses não se curvem, ou, melhor dizendo, insistam em defender muito bem as suas riquezas, criam impasses para o país dominador, que, muitas vezes, têm como único caminho o confronto directo, a guerra.

 Quem inicia o processo da guerra pode ser uma única pessoa, num país totalitário, ou, em países democráticos, um pequeno grupo de pessoas, que, por terem sido eleitos, adquirem o poder de se expressar em nome do país, mesmo que as pesquisas revelem opinião contrária da população. Porém, a democracia não dá a esse pequeno grupo o poder de tomar tal decisão, sem a aprovação dos chamados meios legais, isto é, de alguns Órgãos e Conselhos, de acordo com a Constituição de cada país. Para isso, o verdadeiro motivo da guerra a dominação precisa ser mascarado com outro mais aceitável, transformando a causa da guerra, até mesmo na luta do bem contra o mal, como afirmou recentemente um líder de uma super potência, antes do massacre que instituiu. Com a ajuda imprescindível dos média, o inimigo será pintado como um terrível monstro, que ameaça a paz da região ou do mundo e que precisa ser extirpado.

 Busca-se, desta forma, a cumplicidade de toda a sociedade, ignorando a absoluta contradição com princípios religiosos, que pregam a paz, adoptados pelo próprio grupo que promove a guerra. Finalmente, conseguido um bom motivo, a guerra poderá ser proclamada, de maneira bastante “Civilizada” e “sem ferir os padrões morais e democráticos”. É incrível nunca se ter cogitado, diante de uma decisão tão grave, que envolverá a vida de todos, realizar um plebiscito, para que a população opine. Portanto, a guerra consiste num acto de dominação, decidido por poucas pessoas que detêm grande poder, ainda que, muitas vezes, no decorrer do conflito, ganhe a aprovação de parte considerável da população, influenciada pela propaganda, e também pelo aguçamento do seu lado heróico, ao saber de seus conterrâneos, mortos na frente de combate.

Por outro lado, cada uma das pessoas que decidem a guerra se diz a favor da paz. A paz existirá depois de alcançado o objectivo, ou seja, satisfeito o desejo de dominação. Só que esse desejo, por ser constante, logo criará nova meta a ser alcançada, que poderá gerar outro impasse. Aí, a paz será novamente posta de lado, e se fará outra guerra.

 Todos desejam a paz e promovem a guerra. Não apenas os dirigentes das nações. Eles agem exactamente como a maioria de nós, apenas dispõem de muito mais poder. É uma escala ampliada. Se prestarmos atenção, todos nós, em todas as sociedades, somos, desde crianças, educados para a guerra. A guerra do dia-a-dia é a competição, que começa nas disputas de liderança entre os alunos, nas escolas; na luta pelos cargos de chefia, entre os funcionários das empresas; na luta para ganhar o cliente da concorrente, entre as diversas empresas. Nas religiões, na política, nos desportos, no trânsito, dentro ou fora de casa, no campo ou na cidade, em qualquer país, democrata ou não. Enquanto, em todo o mundo, predominar a competição sobre a solidariedade e o altruísmo, a paz jamais será alcançada. Por mais que se formem grupos, organizem passeatas, pintem faixas ou joguem bombas, em nome dela.



publicado por faustofigueiredo às 11:14
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